Uma organização de autoridade religiosa propôs um novo projeto de lei no Paquistão para permitir a leve espancamento de mulheres sob certas circunstâncias. Conhecido como o Conselho de Ideologia Islâmica (CII), a organização não tem autoridade para aprovar ou promulgar leis, mas aconselha a legislatura paquistanesa sobre a ideologia e leis islâmicas. Se a legislatura paquistanesa aprovar sua última recomendação, as mulheres do país poderiam ser submetidas ao mesmo tipo de violência que atormentou sua população durante anos.

Na quinta-feira, o jornal The Express Tribune, uma agência de notícias paquistanesa, informou que o CII enviaria um projeto de lei ao parlamento paquistanês que permite que um marido espancasse levemente sua esposa se ela o desafiasse de certas maneiras. Por exemplo, uma mulher pode ser espancada por não se vestir da maneira que o marido exige, por dar dinheiro a alguém sem a permissão do marido ou por recusar o intercurso sexual sem motivo religioso.

Infelizmente, para muitas mulheres paquistanesas, essas regras propostas podem apenas institucionalizar o que foi previamente aceito. Como o The Atlantic relatou em 2012, o Paquistão tem sido considerado um dos países mais perigosos do mundo para as mulheres, com mais de 90% das mulheres sofrendo violência doméstica. O projeto de lei proposto proibiria espancamentos forçados, mas, ao fazê-lo, incentiva os homens a bater nas mulheres apenas com um bastão de luz.

Outra parte problemática da proposta poderia tornar mais difícil, se aprovada, que as mulheres lutassem pela igualdade. O projeto de lei proibiria a coeducação após o nível primário. No Paquistão, as mulheres, particularmente as de famílias pobres, já têm um tempo extremamente difícil de obter educação. As mulheres têm uma taxa de alfabetização muito menor - cerca de 45% - do que os homens, segundo dados da CIA.

A educação feminina, particularmente no Paquistão, tornou-se a missão de Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa de 18 anos que sobreviveu a uma tentativa de assassinato do Taleban em 2012. Em 2014, Yousafzai ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seu ativismo. no que diz respeito à educação feminina em todo o mundo, tornando-se o homenageado mais jovem de todos os tempos.

A nova proposta no país natal de Yousafzai limitaria a educação que as mulheres recebem, as carreiras que buscam e o modo de vida que elas podem vivenciar. A proposta da CII continua sendo uma recomendação para a legislatura paquistanesa, e a legislatura não precisa considerá-la. Dada a história de patriarcado e violência do país em relação às mulheres, no entanto, as mulheres paquistanesas podem nem precisar de uma nova lei para solidificar seu lugar secundário na sociedade.